Em 1988, comecei a trabalhar no Banco Real e, nove meses depois, na Marítima Seguros. Meu pai me disse "Vai trabalhar!" e eu fui. Isso me serviu de grande aprendizado na vida. Hoje, dou muito valor em poder tocar e viver da música. Nessa época, eu trabalhava de dia e fazia cursinho no Anglo à noite. Inclusive, aprendi muito sobre como explicar coisas pra alguém só observando os professores de lá. Eles faziam você aprender, mesmo se você não tivesse o mínimo interesse no assunto - como era o meu caso, eu só pensava em música o tempo todo...
Bem, depois do baque na casa do Emílio, em 1989 (ver Influências - parte II), tentei começar a fazer aulas pra aprender acordes que eu nem desconfiava como fazer, poder solar sobre esses acordes e, enfim, ter mais consciência musical. Decidi procurar o Vardé, e quem o indicou foi o Laércio e o Antonio Carlos. A escola do Vardé fica na Vila Formosa, se chama Melody. Fui até lá, conversei com ele e quase comecei! A preguiça estava difícil de ser vencida... (Abração, Vardé!!!)
Me lembro que em 1988, também fiz um teste pra entrar na Oficina Cultural Raul Seixas, que funcionava no Tatuapé. Fui lá e fiz um teste com o Luiz do Monte. Bem, pra começar, o que eu conhecia de mais "jazzístico" na época era Steve Morse...
Me lembro de que fiz o teste e não sabia nem dar nome pros intervalos! Resultado, tomei um mini-sermão do Luiz e fui embora.
Em fins de 1989, através da indicação do meu amigo Luiz Arruda, vulgo Batata, fui ter aulas com o Jonnas Sant'Anna, no bairro de Santana.
Na primeira aula, ele me passou um lance de pentatônicas e me mostrou uma folha com todos os campos harmônicos maiores - que me parecia uma tabela periódica, boiei totalmente...
Com ele toquei o meu primeiro standart, "Footprints" de Wayne Shorter. Eu não conseguia aplicar nada do lance das pentatônicas, mas tocava totalmente de ouvido e tudo ia dando mais ou menos certo, creio eu.
Fui aprendendo outras músicas como "The Chicken" e a aula era uma diversão. Na casa que eu tinha aulas, também conheci amigos músicos como o Omar, o Giba Pinto e o Bira.
Certo dia, mostrei um solo que havia tirado do Mike Stern pro Jonas - ele gostava muito do Mike Stern - e ele, mui amigavelmente, me mandou embora.
Depois disso, o Jonas me liga e diz "Anota aí" e me passou os campos menor harmônico e menor melódico. Essas anotações me ajudaram a entender várias coisas, juntamente com o método do Mozart Mello, que eu tinha xerocado (tudo bem, eu já contei isso pro Mozart).
Em 1989, pouco antes das aulas do Jonas, também comecei a ter aulas de teoria e harmonia com o Tavico, na Aclimação, também indicado pelo Batata. Aprendi as notas na pauta, intervalos, formação de acordes, algumas cadências, etc. O Tavico é uma figura muito querida, espero entrar em contato com ele novamente.
Me lembro que, através do Jonas, conheci o som do Mike Stern, Scott Henderson, John Scofield e Michael Brecker. Eu até tinha alguns discos do Charlie Parker, Miles Davis, Thelonious Monk, Ahmad Jamal, mas eu ainda não absorvia muita coisa. Precisei ouvir o som da década de 80/90 pra depois voltar cronologicamente - o ouro, às vezes, não se revela tão facilmente .
Um dia que me marcou foi quando assistimos a um vídeo do quinteto do Michael Brecker no Free Jazz Festival de 1987, na sala da casa de Santana. O tema era "Suspone", um 'rhythm-changes' do Mike Stern. E me lembro que o solo do Brecker me chocou muito (tenho uma cópia até hoje desse vídeo).
Quando parei de fazer as aulas do Jonas - que duraram apenas alguns meses, em Santana e um pouco na ULM do Brooklin - já havia saído da Marítima Seguros e estava começando a viver o meu sonho de ser músico profissional. Nessa fase, me decidi a esmiuçar os solos que eu considerava mais intrincados. Eu me identificava com aquilo e queria saber do que eram feitas aquelas frases malucas. Só que eu não transcrevia as partes que eram cantáveis, eu só tirava o que eu ouvia e dizia "o que que é isso!!!".
A idéia nunca é imitar, é compreender. Nessa época, eu absorvia o fraseado jazzístico tirando os solos, tocando junto até soar uníssino e, depois, escrevendo. Eu nunca me coloquei na obrigação de tirar um solo inteiro - se fazia isso, era pelo prazer do desafio. Se tinham partes que eu já cantava do solo, pra que escrevê-las?
O primeiro cara que ouvi muito nessa fase foi o Mike Stern. Eu tirava vários solos e temas dele. E, quando eu percebi que estava tocando frases dele demais, comecei a me desviar da influência guitarrística radicalmente. Passei a só ouvir "não-guitarristas", ou seja, saxofonistas, pianistas, trompetistas, baixistas, bateristas, etc.
O primeiro saxofonista que me intrigou foi o Michael Brecker (desde o dia do vídeo) e isso foi importantíssimo pra começar a enxergar a guitarra de uma outra maneira.
Muitos caras falam que "tocam como se a guitarra fosse um sax ou trompete", mas o que mais acontece é o cara falar isso e tocar na frequência (mas sem o mesmo swing) do Pat Metheny, do George Benson ou do John Scofield...
O grau de meticulosidade que encontrei no fraseado de caras como o Brecker me ensinou a estudar de forma mais cuidadosa e abrangente. Comecei a estudar as sobreposições de arpejos e a inverter esses arpejos, como eu saquei que (possivelmente) estes caras estudavam. Fiquei nessa de 1991 a 1996.
Foi uma fase importante pra colocar as coisas básicas no lugar (arpejos, escalas, tocar em todos os tons, etc.), pra me preparar pro que vinha pela frente.
Outra idéia que me ajudou demais (e ajuda até hoje) foi o lance de tocar numa corda só, que o Mick Goodrich passa no método "The Advancing Guitarist". Muito bom, muda totalmente a relação com o instrumento, fica tudo mais musical.
Nunca "matei um método", sempre fui pegando uma coisa aqui e outra ali, em doses homeopáticas. Inclusive, doei quase todos os métodos que eu tinha em casa...
(continua)
sábado, 30 de junho de 2007
domingo, 24 de junho de 2007
Influências (parte II)
Quando eu tinha uns treze anos, ouvi na casa do meu primo Lilo a música "The sign of the southern cross" do disco "Mob Rules" do Black Sabbath.
Fiquei chocado! O riff que entra logo depois da introdução com violões é de um peso descomunal... (gosto até hoje desse som)
Sempre gostei de riffs pesados, para mim é algo indescritivelmente forte e o Tony Iommi domina essa área, realmente.
Passei, desde então, a buscar esse peso na música. Coitados dos meus pais...
Ao domingos, eu ouvia o programa Comando Metal na rádio 97 FM, que era a rádio Rock. Ficava ouvindo de Led Zeppelin a Slayer, de Hendrix a Judas Priest, enfim, tudo o que eu achava que era pesado. E ia assimilando, aprendendo algumas músicas, etc.
Dos 13 aos 18 eu fui o que se pode chamar de metaleiro ortodoxo. Tocava os discos do Iron Maiden inteiros junto (como o "Powerslave" e "Somewhere in Time"), Judas, Sabbath, etc.
Em 1985, ouvi pela primeira vez o Yngwie Malmsteen. Simplesmente esse cara apareceu tocando de um jeito que todos queriam tocar - algo como o que o Eddie Van Halen conseguiu uns 08 anos antes, com outra idéia.
Fiquei louco e passei a tocar o dia inteiro jundo com o disco "Rising Force", quase furando-o. Vale lembrar que, nessa época, o lance era tirar tudo do vinil mesmo (achando os pontos de interesse na pontaria com a agulha) e, as partes mais complicadas, em cassete (para sessões de repetições de trechos quase que insanas).
Logo em seguida, em 1987, vi pela tv, o Chick Corea tocando com o Frank Gambale. Não acreditei também... O cara tocava tão rápido quanto o Malmsteen só que harmonicamente mais rico. Eu também gostava muito do Steve Vai, Paul Gilbert e Greg Howe na época.
Essa fase rockeira foi importante para mim e nunca a reneguei. Importante tecnicamente e importante em termos de desenvolver o ouvido, já que eu aprendia diretamente com os discos.
Tem gente que acha que o jazz é uma música superior e que o rock é lixo. Eu não partilho desta opinião, nem um pouco. Tem porcarias no jazz e no rock, só que eu procuro sintonizar com o melhor de cada som. E fazer música é o lance em qualquer ocasião - seja numa banda de baile, numa banda de rock, num quarteto de jazz, etc. Você faz a música ficar boa, e o "jogo" nunca está ganho. O que quero dizer é: não se iluda achando que o rock é fácil! A música está muito acima do fácil ou difícil... Toque e seja um instrumento da música. O desafio está sempre presente, e sempre junto da inestimável oportunidade de evoluir.
Aos 18 anos (em 1989), eu sabia que, para ser um músico que encara todas, eu teria que estudar harmonia - e sabia que isso aconteceria sabendo um mínimo necessário de teoria e tocando o máximo possível, além de aprender muitas músicas. Só que a preguiça fazia com que eu adiasse essa nova fase ao máximo...
Numa bela noite, fui convidado pra ir à casa de um amigo nosso que havia começado a estudar bateria há um ou dois anos, como hobby mesmo - depois de fazer seus ciquenta anos de idade, se não me engano. Era o Emílio, um cara muito querido que nos deixou poucos anos depois dessa história que contarei.
Bem, chegando lá, vi alguns caras que estudavam com ele no CLAM (onde meu irmão havia estudado um tempo também) e, me lembro como se fosse hoje, que o guitarrista tinha uma Gibson Barney Kessel sunburst com umas cordas em formato retangular lisas (que nunca mais vi por aí).
Logo eles começaram a tocar. O repertório não era nada de extraordinário, eram alguns standarts bem comuns pra mim hoje - mas que eu não fazia a mínima idéia na época. Mas o que mais me impressionou naquela noite é que eles liam cifras e tocavam acordes que eu nunca havia visto! Ou seja, eu tomei um dos primeiros safanões violentíssimos da música; uma voz berrou em minha mente (e com eco!): "Vai estudar, seu moleque ridículo!!!"
Agradeço muitíssimo ao Emílio e aos amigos que estavam lá nessa noite, pelo despertar que eles me proporcionaram.
Nessa época também, eu conheci outro cara que também já nos deixou, o Tuta Bastos. O conheci por intermédio do meu amigo Pierre e do irmão da minha tia Cleusa, o Antonio Carlos. A gente tocava junto com o Laércio (cunhado de minha tia) e eles viviam me falando: "Você tem que conhecer o Tuta!"
Depois de finalmente conhecer o querido Tuta, me lembro que eu chegava com minha guitarra Ibanez com cordas .009 (cheia de adesivos com mulheres semi-nuas) nos bares da Vila Formosa pra dar canja com os caras. E saía tocando com eles vários sambas, bossas, enfim, músicas que eu, às vezes, não conhecia e que tinham acordes que eu não conhecia nem um pouco mesmo.
Só que eu chegava no bar, esperava ser chamado - muito importante salientar isso, porque hoje em dia o costume vem sendo pedir pra dar canja... - e, ao começar a tocar, ia sentindo o clima e tentando me encaixar no contexto. O Tuta tocava violão e cantava muito bem, e o Pierre toca bateria ou percussão (às vezes o Antonio Carlos estava no baixo). Os caras eram malandros pra cacilda tocando...
Depois dos temas, o Tuta mandava o tradicional "Vai, Michel" e eu saía solando. O vocabulário que eu tinha na época era totalmente rock'n'roll, só que eu já havia ouvido algumas poucas coisas de caras como o George Benson, principalmente com o Pierre e com o meu irmão. Na época, assimilei alguma ínfima coisa daquilo e, intuitivamente, ia tentando tocar dentro do swing das músicas e da proposta do som.
Surpreendentemente, os caras gostavam do meu som e me chamavam. E eu, felicíssimo, ia com tudo pra tocar com eles de novo.
(continua)
Fiquei chocado! O riff que entra logo depois da introdução com violões é de um peso descomunal... (gosto até hoje desse som)
Sempre gostei de riffs pesados, para mim é algo indescritivelmente forte e o Tony Iommi domina essa área, realmente.
Passei, desde então, a buscar esse peso na música. Coitados dos meus pais...
Ao domingos, eu ouvia o programa Comando Metal na rádio 97 FM, que era a rádio Rock. Ficava ouvindo de Led Zeppelin a Slayer, de Hendrix a Judas Priest, enfim, tudo o que eu achava que era pesado. E ia assimilando, aprendendo algumas músicas, etc.
Dos 13 aos 18 eu fui o que se pode chamar de metaleiro ortodoxo. Tocava os discos do Iron Maiden inteiros junto (como o "Powerslave" e "Somewhere in Time"), Judas, Sabbath, etc.
Em 1985, ouvi pela primeira vez o Yngwie Malmsteen. Simplesmente esse cara apareceu tocando de um jeito que todos queriam tocar - algo como o que o Eddie Van Halen conseguiu uns 08 anos antes, com outra idéia.
Fiquei louco e passei a tocar o dia inteiro jundo com o disco "Rising Force", quase furando-o. Vale lembrar que, nessa época, o lance era tirar tudo do vinil mesmo (achando os pontos de interesse na pontaria com a agulha) e, as partes mais complicadas, em cassete (para sessões de repetições de trechos quase que insanas).
Logo em seguida, em 1987, vi pela tv, o Chick Corea tocando com o Frank Gambale. Não acreditei também... O cara tocava tão rápido quanto o Malmsteen só que harmonicamente mais rico. Eu também gostava muito do Steve Vai, Paul Gilbert e Greg Howe na época.
Essa fase rockeira foi importante para mim e nunca a reneguei. Importante tecnicamente e importante em termos de desenvolver o ouvido, já que eu aprendia diretamente com os discos.
Tem gente que acha que o jazz é uma música superior e que o rock é lixo. Eu não partilho desta opinião, nem um pouco. Tem porcarias no jazz e no rock, só que eu procuro sintonizar com o melhor de cada som. E fazer música é o lance em qualquer ocasião - seja numa banda de baile, numa banda de rock, num quarteto de jazz, etc. Você faz a música ficar boa, e o "jogo" nunca está ganho. O que quero dizer é: não se iluda achando que o rock é fácil! A música está muito acima do fácil ou difícil... Toque e seja um instrumento da música. O desafio está sempre presente, e sempre junto da inestimável oportunidade de evoluir.
Aos 18 anos (em 1989), eu sabia que, para ser um músico que encara todas, eu teria que estudar harmonia - e sabia que isso aconteceria sabendo um mínimo necessário de teoria e tocando o máximo possível, além de aprender muitas músicas. Só que a preguiça fazia com que eu adiasse essa nova fase ao máximo...
Numa bela noite, fui convidado pra ir à casa de um amigo nosso que havia começado a estudar bateria há um ou dois anos, como hobby mesmo - depois de fazer seus ciquenta anos de idade, se não me engano. Era o Emílio, um cara muito querido que nos deixou poucos anos depois dessa história que contarei.
Bem, chegando lá, vi alguns caras que estudavam com ele no CLAM (onde meu irmão havia estudado um tempo também) e, me lembro como se fosse hoje, que o guitarrista tinha uma Gibson Barney Kessel sunburst com umas cordas em formato retangular lisas (que nunca mais vi por aí).
Logo eles começaram a tocar. O repertório não era nada de extraordinário, eram alguns standarts bem comuns pra mim hoje - mas que eu não fazia a mínima idéia na época. Mas o que mais me impressionou naquela noite é que eles liam cifras e tocavam acordes que eu nunca havia visto! Ou seja, eu tomei um dos primeiros safanões violentíssimos da música; uma voz berrou em minha mente (e com eco!): "Vai estudar, seu moleque ridículo!!!"
Agradeço muitíssimo ao Emílio e aos amigos que estavam lá nessa noite, pelo despertar que eles me proporcionaram.
Nessa época também, eu conheci outro cara que também já nos deixou, o Tuta Bastos. O conheci por intermédio do meu amigo Pierre e do irmão da minha tia Cleusa, o Antonio Carlos. A gente tocava junto com o Laércio (cunhado de minha tia) e eles viviam me falando: "Você tem que conhecer o Tuta!"
Depois de finalmente conhecer o querido Tuta, me lembro que eu chegava com minha guitarra Ibanez com cordas .009 (cheia de adesivos com mulheres semi-nuas) nos bares da Vila Formosa pra dar canja com os caras. E saía tocando com eles vários sambas, bossas, enfim, músicas que eu, às vezes, não conhecia e que tinham acordes que eu não conhecia nem um pouco mesmo.
Só que eu chegava no bar, esperava ser chamado - muito importante salientar isso, porque hoje em dia o costume vem sendo pedir pra dar canja... - e, ao começar a tocar, ia sentindo o clima e tentando me encaixar no contexto. O Tuta tocava violão e cantava muito bem, e o Pierre toca bateria ou percussão (às vezes o Antonio Carlos estava no baixo). Os caras eram malandros pra cacilda tocando...
Depois dos temas, o Tuta mandava o tradicional "Vai, Michel" e eu saía solando. O vocabulário que eu tinha na época era totalmente rock'n'roll, só que eu já havia ouvido algumas poucas coisas de caras como o George Benson, principalmente com o Pierre e com o meu irmão. Na época, assimilei alguma ínfima coisa daquilo e, intuitivamente, ia tentando tocar dentro do swing das músicas e da proposta do som.
Surpreendentemente, os caras gostavam do meu som e me chamavam. E eu, felicíssimo, ia com tudo pra tocar com eles de novo.
(continua)
sábado, 23 de junho de 2007
Tocando Solo

Hoje fiz um show solo na EM&T de Campinas, foi o dia de encerramento do Guitar Player/ IG&T Festival que rolou a semana toda.
Encontrei vários amigos, como o querido Joe Moghrabi, a Marina e a Gui Moghrabi, que tocou djembé comigo na música "Tu, Wes...". Foi bem legal.
No show, toquei umas 06 músicas minhas e, para minha surpresa, em quase uma hora de show...
O desafio de tocar solo é gigantesco e essas oportunidades são ouro puro. Ao invés de 'jogar no certo', que seria tocar com playbacks das minhas músicas (por exemplo), acredito que fazer um show só com a guitarra é algo que proporciona um crescimento sem igual. Me 'ferro' bastante, devo dizer. A responsabilidade é enorme, mas o prazer é diretamente proporcional. A liberdade de poder rearranjar as músicas na hora também é maravilhosa.
Um dos incentivadores iniciais dessa prática foi o amigo Mozart Mello. Me lembro que, em 1996, eu queria fazer umas aulas com ele. Sò que eu não tinha a grana e nem ele tinha vagas. Como eu dava aulas no extinto Souza Lima Pinheiros, que funcionava na mesma casa que o Mozart, o Zé Walter (com quem tive algumas aulas) e mais alguns amigos davam aulas, aproveitei pra pedir umas dicas 'avulsas'. A primeira coisa que o Mozart me falou foi "escolha um standart e toque sozinho". Eu já vinha querendo começar a fazer isso, mas o empurrão inicial foi ótimo. Escolhi tocar "Invitation" e daí começou a luta.
Outra pessoa decisiva nisso foi minha sogra, a Noeli. Estávamos na praia e eu levei a guitarra pra estudar. Numa tarde, eu estava lá estudando. De repente, ela me disse "Toca uma música pra eu ouvir?". Reação: branco total! Fiz uma pausa e pensei "é isso! Se eu toco um instrumento, nada mais normal do que uma pessoa me pedir pra tocar uma música". E comecei a tocar, sem ter arranjado nada antes, um samba ou outro. Fui buscando as melodias e tentando manter o ritmo na exposição do tema e fiz improvisos mais simples pra conseguir ficar no tempo e na forma. Foi uma ótima 'fogueira'!
Outros amigos, como o Arismar e o Sandro, me incentivam a gravar algo solo, por exemplo. Comecei a fazer isso no CD "Quarteto" e, desde então (2004), venho fazendo alguns shows solo. Sempre é uma adrenalina das boas, mas recomendo aos guitarristas começar e insistir na experiência.
Há algum tempo, ao compor, já vou tocando as músicas para que fiquem claros: o ritmo, a melodia e a harmonia. Naturalmente, o tema vai se tornando uma peça para guitarra solo e, depois de tocar muitas vezes, já não se faz necessário praticá-lo antes dos shows. Aí é tocar muito e gravar, pra ouvir e melhorar sempre.
O trabalho é árduo, os tombos são vários e a coisa vai melhorando muito lentamente... Mas quem disse que iria ser fácil?
Seguem abaixo algumas datas de shows solo:
Terça-Feira, 03 de Julho de 2007
Show Solo às 22 horas, na Escola Virtuose, Rua São Bento do Sapucaí,137 (em frente ao metrô Guilhermina-Esperança). Fone: 6684-5465.
Quainta-Feira, 05 de Julho de 2007
Show solo e bate-papo, às 18 horas, no Instituto Anelo - Cultura, Arte e Educação. Endereço: Rua Professora Elizabeth S. de Oliveira Leite. n.º 78 - Jd. Florence I - Campinas/SP. Fones: (19) 3227-6778/ 32729-08800.
Sábado, 14 de Julho de 2007
Curso MASTER'S SECRETS na EM&T
Com Edu Ardanuy, Joe Moghrabi e Michel Leme. Ao meio-dia na EM&T; carga Horária: 5 horas/aula; preço: R$ 45,00. Informações e reservas: 011 5012-2777 ou no site www.emt.com.br (tocarei solo também)
Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2007
Show Solo no CCSP. O show será dividido com o guitarrista e violonista Conrado Paulino, que também tocará solo. Ao final, tocaremos em duo, num encontro inédito. Às 19 horas, no Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1000 - Entrada Franca.
Se puder, apareça!
Um grande abraço a todos,
Michel
* foto no Guitarisma de Bauru, em 16 de junho de 2007, onde rolaram dois shows solo: um na master class (à tarde) e outro no workshop, à noite.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Influências (parte I)

Minhas primeiras influências musicais foram basicamente três - e todas ao mesmo tempo:
- a música brasileira: chôros, catiras, valsas, "tangos" (no interior de São Paulo tinha um ritmo chamado assim, nada a ver com o tango argentino), etc. Essa fonte musical veio diretamente do meu querido avô, pai de meu pai, Durvalino Leme (1905-2000). Ele estava aposentado e ficava tocando a tarde toda em seu violão preferido (o Del Vecchio da década de 40 que está comigo hoje). Ele tocava músicas de sua época de garoto e compunha também - tem várias músicas dele na minha memória. E eu ficava lá, rodeando e ouvindo. Quando ele parava de tocar, eu ficava tentando fazer algo com o violão, mas só saiam ruídos. Vendo meu avô tocar, tudo parecia tão fácil... De vez em quando, ele (que tinha o mais alto respeito dos músicos que o conheciam) reunia um grupo de amigos e faziam um som com dois violões, percussão e até sanfona. Isso tudo acontecia em sua sala de estar na casa da Vila Santa Izabel - bairro que fica entre a Vila Formosa e a Vila Carrão, Zona Leste de Sâo Paulo - onde vivi desde que nasci até os 22 anos. No CD 'Umdoistrio', a música "Santa Izabel" homenageia essa época maravilhosa.
- o rock'n'roll: minha mãe conta que, antes de eu começar a falar, eu ficava ouvindo um disco chamado "Beatles Again". E quando a vitrola estava desligada, eu ficava rodando o disco com minha mão pra ouvir - fato que meus irmãos adoravam, já que eu riscava não só esse, mas qualquer disco que ficasse dando bobeira na sala. Uma das primeiras músicas que cantei foi "Love Me Do", desse disco "Beatles Again". Eu sempre via meu irmão tocar também, o Mauro. Cresci indo aos seus ensaios e esperando a hora de poder tocar um pouco de baixo nos intervalos. Eu adorava o baixo! Me lembro que eu ficava tocando alguns riffs tipo "Black Dog" e os caras achavam muito legal, porque eu só tinha uns sete anos... Meu irmão me apresentou Jimi Hendrix, Led Zeppelin, bandas que eu gosto até hoje. Me lembro que uma vez ele me disse "esse som é muito pesado". Era "Symptom of The Universe" do Black Sabbath. Eu não acreditei, aí eu devia ter uns oito anos. Uma história que lembramos outro dia: meu irmão estava tocando num baile na Sociedade Vila Santa Izabel e houve um problema com o baixista no meio do som. Não me lembro o que rolou. Mas ele me disse "pega o baixo aí e vamos tocar!" E fiz um belo período do baile tocando o baixo, e me lembro que foi uma experiência extasiante! Eu devia ter uns sete anos ainda. Essas coisas ficam marcadas pra sempre.
- a música clássica: meu pai, Maurindo Leme (1933-1998), estudou violino durante oito anos em conservatório. Sabia ler e escrever música, assim como minha mãe, que estudou piano e acordeon por uns dois anos cada. O gosto de meu pai era, predominantemente, clássico. Ele ouvia Bach, Beethoven, adorava Paganini e Mozart. E eu ouvia isso tudo, absorvendo por osmose. Ele comprava os discos e ficava ouvindo na sala de estar do meu avô, onde havia mais silêncio. Teve um disco que ele ganhou com árias de óperas famosas que quase furou... A música dita clássica ou erudita me fascina desde então. Minha relação com ela sempre foi mais como ouvinte, mas considero importantíssimo e decisivo esse contato.
Com oito anos, decidi que era hora de aprender violão de verdade. Eu não agüentava mais pegar o violão e não conseguir tocar nada. Então, meu avô Durvalino me disse: "se você aprender estas primeiras seqüências, vou te dar um violão pequeno." Depois de pouco tempo, após aprender as "seqüências de C, de D e de G", já ganhei o pequeno violão "Rei" que tenho até hoje. Depois disso, ele disse "se você conseguir me acompanhar nestas músicas, te dou um violão maior, um Di Giorgio que compraremos na fábrica". Fiquei doido! Me dediquei muito e, depois de alguns poucos meses, estávamos indo para a loja da Di Giorgio no Largo São Jose do Belém. Era um Di Giorgio Estudante, n.º18. Que dia maravilhoso! Fomos eu, meu pai, meu avô e (acho que) meu irmão pra fazer a compra. Foi um verdadeiro acontecimento para mim! A partir daí, só parei de tocar depois da Copa de 1982, quando queria ser "boleiro"... E é claro, que um ano e pouco depois, voltei a tocar direto e o futebol perdeu um de seus centro-avantes mais banheiristas e preguiçosos. Logo na seqüência, ganhei uma guitarra Retson (que hoje está exposta numa galeria no Souza Lima) do meu cunhado e um pedal Sound com Distorção e Wha-Wha do meu irmão. Isso foi no Dia dos Pais, em 1984. Então, começou a fase totalmente Heavy Metal...
*foto: meu pai, meu avô Durvalino, meu irmão e eu.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
terça-feira, 19 de junho de 2007
Rock!
GUITARISMA
Fiz uma master class e um workshop no Guitarisma (em Bauru) no sábado passado, dia 16 de junho. Foi muito bom tocar lá. Fiz duas apresentações solo e, além disso, no bate-papo, as pessoas entraram no espírito "menos contas e mais música"! Foi gratificante.
Agradeço muitíssimo ao Fabian e ao Marco, além de todos os participantes. Parabéns pela iniciativa! Foi um clima muito bom e quero voltar em breve.
(Além disso, quero voltar a dar canja na cantina, com o pessoal da seresta!)
Rock'n'Roll pra cacilds!!!
GENERATION XL
Acabei de participar de um evento muito legal no auditório da Unip, o Generation XL. Rolou uma promoção da D'Addario com o IG&T e Guitar Player, que culminou com uma apresentação comigo, o Samuel Rosa e o Kiko Loureiro. Cada um tocou três clássicos do rock escolhidos pelos internautas e, ao final, rolou uma jam session.
No grupo que tocou conosco, tivemos os amigos: Kiko Muller, Fábio Zaganin, Mário Fabre e Fábio Augusto.
As três músicas que toquei: "Cult of Personality" do Living Colour, "Vodoo Child" do Jimi Hendrix e "Jump" do Van Halen. E até cantei (em "Voodoo Child"), coisa que não fazia desde a época dos bailes (1992-96)...
O desafio de tocar sons diferentes (e de forma criativa - longe do "cover") é sempre bem-vindo. E, além de tudo, foi muito divertido!
O engraçado é que algumas pessoas acham que, pelo fato de eu fazer o som que faço, eu tenha que abominar o rock, por exemplo.
Besteira! Toquei rock dos 13 aos 19 anos de idade, direto.
O que procuro, em qualquer situação, é fazer música - independente do rótulo.
Agradeço aos amigos e, principalmente, a todas as pessoas que foram ouvir o som.
Abração,
Michel
Fiz uma master class e um workshop no Guitarisma (em Bauru) no sábado passado, dia 16 de junho. Foi muito bom tocar lá. Fiz duas apresentações solo e, além disso, no bate-papo, as pessoas entraram no espírito "menos contas e mais música"! Foi gratificante.
Agradeço muitíssimo ao Fabian e ao Marco, além de todos os participantes. Parabéns pela iniciativa! Foi um clima muito bom e quero voltar em breve.
(Além disso, quero voltar a dar canja na cantina, com o pessoal da seresta!)
Rock'n'Roll pra cacilds!!!
GENERATION XL
Acabei de participar de um evento muito legal no auditório da Unip, o Generation XL. Rolou uma promoção da D'Addario com o IG&T e Guitar Player, que culminou com uma apresentação comigo, o Samuel Rosa e o Kiko Loureiro. Cada um tocou três clássicos do rock escolhidos pelos internautas e, ao final, rolou uma jam session.
No grupo que tocou conosco, tivemos os amigos: Kiko Muller, Fábio Zaganin, Mário Fabre e Fábio Augusto.
As três músicas que toquei: "Cult of Personality" do Living Colour, "Vodoo Child" do Jimi Hendrix e "Jump" do Van Halen. E até cantei (em "Voodoo Child"), coisa que não fazia desde a época dos bailes (1992-96)...
O desafio de tocar sons diferentes (e de forma criativa - longe do "cover") é sempre bem-vindo. E, além de tudo, foi muito divertido!
O engraçado é que algumas pessoas acham que, pelo fato de eu fazer o som que faço, eu tenha que abominar o rock, por exemplo.
Besteira! Toquei rock dos 13 aos 19 anos de idade, direto.
O que procuro, em qualquer situação, é fazer música - independente do rótulo.
Agradeço aos amigos e, principalmente, a todas as pessoas que foram ouvir o som.
Abração,
Michel
domingo, 17 de junho de 2007
Efeito Retardado
As coisas acontecem e demora um tempo pra "cair a ficha" pra algumas pessoas...
Muita gente, hoje em dia, ainda me manda emails e mensagens perguntando sobre os grupos "Mr. Motaba" e "Umdoistrio", por exemplo.
Acho legal demais as pessoas lembrarem, foram trabalhos muito importantes para mim. Mas veja o atraso: minha participação no primeiro CD do Mr. Motaba começou no Cd lançado em 1997! Depois, gravamos um CD ao vivo em 1999 e outro em estúdio em 2003 - ambos ainda não lançados. O Umdoistrio é um CD de 2002! Tocamos até 2004 e o grupo terminou. (ambos os CDs estão esgotados)
A gente acha que, com a internet, a informação se espalha mais rapidamente. Mas a coisa não funciona assim pra tudo...
O lado bom é que, daqui a um ou dois anos, algumas pessoas vão procurar meus CDs "Quarteto" (de 2004) e "Alex Buck & Michel Leme - Trocando Idéias" (de 2006)! (CDs ainda disponíveis)
Pra quem quiser conhecer, tem clipes desses CDs (e outros) no meu site. É só acessar o link DISCO, escolher um CD, clicar na capa e ouvir: www.michelleme.com
Um grande abraço e uma maravilhosa semana a todos!
Michel
Muita gente, hoje em dia, ainda me manda emails e mensagens perguntando sobre os grupos "Mr. Motaba" e "Umdoistrio", por exemplo.
Acho legal demais as pessoas lembrarem, foram trabalhos muito importantes para mim. Mas veja o atraso: minha participação no primeiro CD do Mr. Motaba começou no Cd lançado em 1997! Depois, gravamos um CD ao vivo em 1999 e outro em estúdio em 2003 - ambos ainda não lançados. O Umdoistrio é um CD de 2002! Tocamos até 2004 e o grupo terminou. (ambos os CDs estão esgotados)
A gente acha que, com a internet, a informação se espalha mais rapidamente. Mas a coisa não funciona assim pra tudo...
O lado bom é que, daqui a um ou dois anos, algumas pessoas vão procurar meus CDs "Quarteto" (de 2004) e "Alex Buck & Michel Leme - Trocando Idéias" (de 2006)! (CDs ainda disponíveis)
Pra quem quiser conhecer, tem clipes desses CDs (e outros) no meu site. É só acessar o link DISCO, escolher um CD, clicar na capa e ouvir: www.michelleme.com
Um grande abraço e uma maravilhosa semana a todos!
Michel
domingo, 10 de junho de 2007
Blog do Mihanovich
http://oresumodaopera.blogspot.com/2007/06/o-resumo-da-pera.html
Leia, no link acima, o post muito bom "O resumo da Ópera" no blog do meu amigo Alexandre Mihanovich.
Tem a ver com alguns posts aqui deste blog (como "O músico hoje" e "Abominações Corporativistas").
Pesquise, se informe e façamos algo!!!
Abraço,
Michel
Leia, no link acima, o post muito bom "O resumo da Ópera" no blog do meu amigo Alexandre Mihanovich.
Tem a ver com alguns posts aqui deste blog (como "O músico hoje" e "Abominações Corporativistas").
Pesquise, se informe e façamos algo!!!
Abraço,
Michel
terça-feira, 5 de junho de 2007
Sons em Junho

Iniciamos o mês de junho de modo maravilhoso: gravando um novo CD, com o grupo Michel Leme & A Firma. Da esq; p/ dir.: Thiago Alves, eu, Serginho Machado e Cássio Ferreira. O Cd também teve a participação do amigo saxofonista Raphael Ferreira num samba arretado...
A gravação rolou no Nimbus Studio, nos dias 01 e 02 de junho. Gravamos ao vivo, sem overdubs e sem fones (que conforto...)!!! São nove composições inéditas minhas.
Avisarei das novidades...
Segue a agenda:
08 de Junho
Michel Leme, Alexandre Mihanovich e Alex Buck
Gravação do Rota BDG Podcast, em breve disponível para download no site Bandas de Garagem.
13 de Junho
Workshop da marca Rotstage
Michel vai fazer um pocket-show solo usando o amplificador Rotstage modelo CJ100 e falar um pouco sobre as vantagens de se usar um amplificador valvulado. O guitarrista também irá comentar sobre projetos futuros com a marca e responder às perguntas do público. Além disso, vai rolar uma jam-session no final. Não perca! Às 20 horas, no Auditório da EM&T: Av. Eng. George Corbisier, 100 - ao lado do metrô Conceição. Entrada: 2 kg de alimento não-perecível.
16 de Junho
Master Class e Workshop no GUITARISMA em Bauru
Os dois eventos acontecerão na Guitarisma - Instituto de Guitarrra e Violão, na Rua 13 de maio, 19-75 - Vila Noemy (Altos da Cidade), Bauru (SP). Informações: 014-3227-7108.
19 de Junho de 2007
Evento Generation XL
Michel Leme, Kiko Loureiro e Samuel Rosa tocam clássicos do rock escolhidos pelos internautas no encerramento da Promoção D'Addario/ Generation XL. Informações no site www.musical-express.com.br e reservas no fone: (11) 5012-2777. Local: Auditório da UNIP - Vergueiro. Rua Apeninos, 267 - Aclimação - Metrô Vergueiro.
23 de Junho de 2007
Festival Guitar Player/ IG&T na EM&T Campinas
O guitarrista Michel Leme faz um show solo (sem nenhum tipo de playback) tocando composições próprias inéditas e outras já gravadas em seus CDs: Umdoistrio, Quarteto, Trocando Idéias. Não perca! Às 15 horas, na EM&T Campinas: Av. Carlos Grimaldi, 145 - Jd. Conceição - Campinas (SP). Telefone: 19 3206-1100.
26 de Junho de 2007
Zerró Santos Big Band Project
No Freetura Bar, às 22 horas, na Rua Teodoro Sampaio- Pinheiros (SP). Tel: (11)30611914.
Fiquem com Deus e apareçam nos sons!
Abraço,
Michel
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