sexta-feira, 11 de março de 2011

Coletânea Heart of a Hero


No final de dezembro passado, fui convidado a participar da coletânea “Heart of a Hero” pelo Rafael Nery, guitarrista e bravo mantenedor do site Guitar Clinic.

Assim que ele me contou qual a razão da coletânea, que é colaborar para com o tratamento do músico Jason Becker, eu topei na hora e prometi uma música inédita – o que é sempre melhor do que mandar músicas já lançadas em discos ou algo do tipo; e gravar algo inédito também é um ótimo motivo pra juntar os caras e fazer um som.

Fazer algo em prol de um cara como o músico Jason Becker é, no mínimo, um agradecimento pelo que ele me deu quando comecei a ouvir os sons dele no final da década de 80. Quando você ouve um cara tocando bem, independente do gênero musical, isso é sempre um incentivo e uma renovação. E este é o caso dele.


“Servant of the Light”


Pensando na música pra coletânea, primeiramente compus um ¾ cheio de partes do qual até gostei, e acabei de escrever no comecinho de janeiro. Mas, quando veio a segunda música, uns poucos dias depois, já senti que ela seria a música pra eu colaborar com a coletânea.

O título dessa música tem a ver com o Jason Becker e com nossa classe musical: “Servant of the Light” – “Servo(a) da Luz”. Os músicos de coração, os verdadeiros, são servidores da luz: a luz da divina música, que é a luz em meio às trevas que estão fazendo esse planeta se tornar.

Esse tema surgiu assim: eu havia acabado de tocar o tema “Prince of Darkness” do Wayne Shorter, um de meus temas preferidos, deitado no chão com a guitarra acústica Cassias, super relax. Sempre considerei esse tema como uma forma de se expressar sabedoria de uma forma condensada - dizer tanto e satisfazer musicalmente em 16 compassos é algo notável. Aí pensei em fazer algo no mesmo espírito, e, aí surgiu a melodia imediatamente, junto com os acordes que já formaram os quatro primeiros compassos desse novo tema. Foi algo muito rápido e inexplicável, e esse começo já me pegou, ficou na cabeça. Em seguida, foi só ficar tocando, pra deixar a música “se fazer” – desculpem se minha explicação é um pouco misteriosa ou “mística”, mas não tenho meios mais exatos pra relatar o processo...

Quando o tema estava pronto, e fiquei satisfeito com seus 16 compassos apenas – milagre, porque sempre acho que minhas músicas precisam de mais partes logo que as faço –, pensei nele como uma espécie de negativo de “Prince of Darkness”, e, óbvio, sem a mínima pretensão em comparar, mas apenas me veio essa idéia e pensei que, num jogo de palavras, o contrário de “Príncipe das Trevas” seria algo como “Serva da Luz”. Pra dedicar ao Jason Becker eu passei pro masculino, “Servo da Luz”, mas aí achei legal passar para o inglês de uma vez, pra ficar mais claro pra ele.

Eis a partitura (clique nela pra ver maior):

A sessão de gravação

“Servant of the Light” foi composta em 08 de janeiro de 2011 e sua gravação aconteceu no dia 15 de janeiro, no “Tata Estúdio”, mais especificamente na casa do Bruno Tessele. Gravamos eu, Bruno Tessele (bateria) e Bruno Migotto (baixo).

Quem captou o áudio, mixou e masterizou foi nosso amigo Flavio Tsutsumi, da Sho’You áudio & vídeo.

Fizemos um primeiro take só pra passar o som e tocar a música pela primeira vez. Ao final, entendemos que poderíamos fazer melhor. Então, o que você ouve na coletânea foi o segundo take de “Servant of the Light”, sem quaisquer overdubs ou correções.

Equipamentos

Gravei com um amplificador Rotstage RT-50, valvulado, bem menor que meu Rotstage Libra 100, porque queria o meu som ‘rachando’ um pouco. Se eu fosse fazer o mesmo com o Libra, teria que tocar num volume insuportável, o que não seria confortável pro Bruno Migotto, que gravou na mesma sala que eu. Por isso, escolhi um ampli menor, que soou como eu havia imaginado. A guitarra foi a Cassias, protótipo “true acoustic body” construído pelo luthier João Cassias, que estou usando desde outubro do ano passado. As cordas são D’Addario Chromes .012 – com a primeira E .013 e a G desencapada .022.

O Bruno Migotto usou o Gianini tipo “Rickenbaker” velho dele, que tem um som nojentíssimo, como a gente gosta, e o Bruno Tessele gravou com a batera Taye modelo Studio Pro.

Agradecimentos

Muitíssimo obrigado ao Rafael Nery, pela oportunidade de participar da coletânea; ao Bruno Migotto e Bruno Tessele pela música; ao Flavio Tsutsumi pelo som e pela disposição; e a todos que baixarem a coletânea - a razão é das mais nobres.

É um prazer fazer parte de algo assim, com a classe musical unida - como deveria ser sempre.

Então, amigos, baixem a coletânea no www.guitarclinic.com.br e a colaboração é feita via paypal, com a quantia que vocês puderem.

Que Deus ilumine o Jason Becker e família.

Abraços a todos,
Michel

5 comentários:

Ignácio Ito disse...

Com certeza fui edificado pela iniciativa. Que as pessoas sejam impactadas e desafiadas. Um grande abraço.

Rafael Nery disse...

Valeu Michel!

Michel disse...

A classe musical é que deve agradecer e aproveitar o exemplo pra se unir de verdade.

Abraço e parabéns!
Michel

S. disse...

Achei muito foda o projeto, vou divulgar o máximo que puder, o Becker é exemplo, não só no meio musical, mas na vida. Mostraram que são realmente músicos de coração, parabéns!
Abraço

Michel disse...

Obrigado, Inácio e S.!
É preciso fazer som, sempre. E o mesmo eu digo pra união de nossa classe musical.
Abraços,
Michel