sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sons na Cia. da Música


No dia 14 de Fevereiro, retomamos as atividades do projeto Michel Leme & Convidados na Cia da Música.

Comecei tocando com os amigos do Trilho Trio: Louise Wooley (piano), Nenê Vianna (baixo) e Daniel Padovan (bateria). Tocamos duas músicas minhas: "Bom Dia" e "Bem Simples", e vários standarts legais. Foi muito bom, um clima ótimo.

Ontem, dia 21 de Fevereiro, toquei com Felipe Silveira (piano) e Thiago Alves (baixo acústico) e foi muito bom também. Abrimos com um blues do Felipe chamado "Jazzgentinos" (em homenagem - ou algo similar - aos nossos amigos Lito Robledo e Alexandre Mihanovich). Também tocamos dois temas meus "Light" e "Cha-Cha Malícia" e vários standarts como "How Long Has This Been Going On", "Sweet Georgia Bright" do Charles Lloyd, etc.

Tocar com músicos dessa geração (pessoal dos vinte e poucos anos de idade) e constatar que vários deles tocam realmente para a música, ou seja, ouvindo o que está acontecendo no momento e sem nenhuma egotrip, é realmente muito prazeroso.

Obrigado Louise, Nenê, Padovan, Thiago e Felipe!

E as quintas continuam... Espero que você possa aparecer por lá ou acompanhar pela net, já que todos shows são transmitidos ao vivo no site www.ciadamusica.art.br

Horário: das 19:30 às 20:30
Endereço: Rua Afonso Celso, 124 - Vila Mariana (SP)
Fones para informações: (11) 5574-0546 e 5574-0039.

Veja a programação até o final de março:

28 de Fevereiro: Duo com a cantora Adriana Godoy;
06 de Março: Duo com o guitarrista Alexandre Mihanovich;
13 de Março: Duo com o saxofonista Raphael Ferreira;
27 de Março: Duo com o saxofonista Cássio Ferreira.

Importante: dia 20 de março, excepcionalmente, não vai rolar este projeto. Vai ter uma apresentação do amigo e guitarrista Marcinho Eiras, que tinha marcado essa data com o Klaus há vários anos atrás...

E já estou programando os convidados de Abril! Avisarei aqui no blog.
E quem quiser receber meu mailing pra saber de novidades e agenda, é só mandar email pra michel@michelleme.com, certo?

Um grande abraço a todos!
Michel

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Terceira matéria do Sergio Buccini

Amigos,

Tenho o prazer de publicar aqui mais uma matéria do amigo Sergio Buccini.
Desta vez, ele fala sobre a importância do Luthier e, entre outras coisas, convida à reflexão aqueles que ainda consideram este profissional como "um mal necessário" e coisas do gênero.

Aproveitem!

Abraços,
Michel





Pra que Luthier? A gente explica.

O oficio de Luthier vem de há muito, na verdade, desde que o homem começou a se interessar em fazer música. Alguém precisava criar e cuidar destes instrumentos e, infelizmente, não fomos nós, Luthiers brasileiros, que inventamos ou iniciamos a profissão... Apenas damos continuidade ao processo, a esta nobre arte, tratando com respeito, escrúpulo, dedicação e, acima de tudo, extrema honestidade aos que procuram nosso conhecimento e mão de obra.

Seja da maneira que for, é impossível tornar-se um verdadeiro Luthier em apenas alguns meses, mesmo que por decreto ou simples passe de mágica... São precisos muitos anos de trabalho árduo ininterruptos, dom e paciência para se dominar a complexidade das ciências que englobam a arte da Lutheria - empenho digno de todo respeito, o que qualquer outra profissão merece por parte de todos. Eu mesmo peguei pesado oito horas por dia na minha primeira oficina laboratório durante cinco anos antes de pôr a mão oficialmente no instrumento do primeiro cliente.

Pessoalmente, recebo clientes por indicação porque acredito que o melhor marketing ainda é o trabalho bem feito que satisfaz o cliente, que, por sua vez, traz um outro e assim por diante. Quando alguém recorre aos meus serviços de profissional, analiso o instrumento, digo o que precisa ser feito, dou orçamento - sem compromisso - e estimo em quanto tempo o instrumento será devolvido.

Cada caso se difere do outro em função de evidentes peculiaridades individuais, ou seja, não existe uma única receita com preço fixo para todas as situações. E, quando se deseja fazer um trabalho bem feito, é preciso, além de tempo suficiente, alertar o cliente sobre esta verdade. Depois de pronto, no ato da entrega, forneço todas as explicações técnicas necessárias sobre o serviço executado, sendo todo este procedimento de suporte cercado de muito respeito pelo cliente e seu instrumento. Afinal, as pessoas que confiam no nosso trabalho necessitam e merecem saber pelo que estão pagando.

Importante

Convém lembrar que nossos preços no Brasil equivalem a menos da metade dos sugeridos pela tabela internacional cobrados em outros paises, embora a qualidade do serviço precise ser exatamente a mesma ou até melhor, porque os instrumentos, muito mais caros para nós brasileiros, são os mesmos comercializados no exterior.

Certeza do melhor

Não costumo sugerir serviços de que o cliente não precise. Continuo convicto afirmando que, num país de clima tropical como o Brasil, é recomendável uma revisão geral a cada quatro meses, no mínimo. Isto pra quem deseja, de fato, garantir bons resultados e longevidade para o instrumento.

Não podemos e não devemos obrigar ninguém a seguir recomendações, mas como diz o ditado: "Quem Ama, cuida!"
E esta grande verdade também não foi criada por nós, Luthiers brasileiros. São conselhos gratuitos, orientações sinceras, que servem para quem realmente respeita o instrumento que tem - seja guitarra, contrabaixo ou violão.

Indignação

Depois de duas décadas trabalhando com firme propósito em busca dos melhores resultados, acumulando experiência construindo e consertando instrumentos, escrevendo para revistas especializadas, ainda nos vemos com sérias dificuldades para explicar a importância de nossa atividade profissional.

O que de fato impede algumas pessoas de procurarem um Luthier?
O instrumento fica mesmo muito melhor depois que passa pelo profissional? Afinal para que servem os Luthiers?

Para carros e motos existem mecânicos; para o ensino, grandes professores; para a saúde, os médicos; para os dentes, os dentistas, etc, etc, etc. Então, por que não Luthiers para os instrumentos?

Até quando persistirá esta resistência ilógica e injustificável que afasta as pessoas de um convívio mais eficaz com a música e seus instrumentos?

Um instrumento bem preparado é uma ferramenta útil que facilita o estudo, assim como o desempenho do bom profissional. E o Luthier não é inimigo, é o amigo, o tutor do instrumento que tanto se ama, uma pessoa que deve inspirar confiança.

Depois de algum tempo pesquisando pela Internet, lamento que ainda haja uma minoria desinformada, ou talvez mal orientada, que infelizmente ainda comenta sobre nossa categoria como se fosse um “mal necessário”! Ou pior, um mal a ser evitado. Quero estar enganado, mas ao menos é essa a impressão que fica.

Muitos de nós, profissionais, já fomos vitimas dos efeitos e reflexos desta injustiça, sem saber porquê, talvez algumas vezes pelo simples fato de nos recusarmos a executar trabalhos que estariam em desacordo com a ética profissional. Aliás, ao meu ver, ética e respeito são qualidades do bom caráter de qualquer pessoa.

O que precisa ser lembrado aqui é: se não fosse pelo arrojo e iniciativa de bons Luthiers, as fábricas mais famosas do mundo não teriam surgido. De onde se originaram os nomes estampados nos heads dos instrumentos... Não seriam, por acaso, os sobrenomes dos Luthiers?

Aconselho: escolha inteligentemente suas fontes de informações e, na compra de um bom instrumento, inclua sempre o nome de um bom Professor para acompanhar seus estudos e de um bom Luthier para manter seu instrumento, porque só assim a coisa funciona como deve. Não há outro caminho.

Defendendo

Considerando ideais e metodologias de cada um, preciso deixar bem claro aqui que defendo o respeito merecido por todos os Luthiers de carreira, responsáveis, profissionais sérios e dedicados, experientes e sem preconceitos, que, assim como eu, de origem simples e trabalhadora, estudam e se aprimoram dia após dia. Sustentam família, sacrificam vida pessoal pela causa e ajudam quem carece com o esforço de um trabalho limpo, honesto, sem fantasias, estrelismo, brincadeiras ou discursos convenientes! Somos parte integrante de todo o processo sério que envolve o mundo da cultura musical, e nossas oficinas representam nosso ganha-pão!

Destaco também a importância fundamental de nossos bons, valorosos e fiéis clientes, que acreditam no nosso trabalho, põem fé em nossa palavra, confiam e seguem de livre vontade nossas recomendações e orientações técnicas e ainda indicam nosso serviço. Gente do bem, entre profissionais e amadores, que ama tocar seus instrumentos, e merece nosso eterno respeito, gratidão e consideração. O que seria de nós sem a recíproca?

Tudo na vida se resume numa parceria saudável e inteligente, precisamos ser mais irmãos e menos indivíduos para poder evoluir! Tive sorte em receber uma boa educação, e gosto de usá-la. Por isso, mantenho meu compromisso com a ética.

Entendo claramente que estamos todos aprendendo e enquanto não nos compreendermos, respeitarmos e nos unirmos com o único e inabalável propósito de enobrecer nosso meio, continuaremos batendo cabeça, idolatrando uma atmosfera surreal e vivendo eternamente na sombra do mercado exterior. Não por falta de competência, mas por absoluta ausência de solidariedade e vontade de mudar.

Como gostaríamos de que fosse nosso futuro? Nosso futuro depende do agora, portanto, é hora de refletir!

SERGIO BUCCINI
email: sergiobuccini@gmail.com

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Sobre os sons em Curitiba e um Protesto

Curitiba - Evento OFF

Pela segunda vez, fui à bela Curitiba tocar no Evento Off que acontece paralelamente à Oficina de Música nos meses de janeiro.

Toquei no Beto Batata do Alto da XV, nos dias 26 a 29/01 (além de uma canja no Hermes), com os queridíssimos amigos:

Arismar do Espírito Santo, Endrigo Betega, Gringo, Gabriel Grossi, Daniel Santiago, Mario Conde, Glauco Souter, Vinícius Dorin, Toninho Horta, Cuca Teixeira, Daniel D'Alcântara, Sérgio Coelho, André Marques e ainda rolou uma canja com o Márcio Bahia, com quem eu ainda não havia tido o prazer de tocar.

Vale também agradecer aos amigos que estavam estudando nas oficinas e que foram assistir aos shows - e, depois, ainda dar canjas com a gente!

Foi muito, muito bom. E eu já quero repetir a dose!!! Mas, talvez de avião...


BR-116

Fui dirigindo até Curitiba e fiquei bem irritado com o estado da estrada - além de ter escapado de uns dois acidentes, quando alguns caminhoneiros imprudentes (pra usar um termo brando) me fecharam pra desviar de buracos... E isso porque só rodei na BR-116 no trecho Miracatu-Curitiba! Não quis trafegar pela serra da BR, então saí de São Paulo via Imigrantes (pagando R$ 15,40 de pedágio, o que é outro absurdo) e Manoel da Nóbrega. Na volta, fiz o mesmo caminho.

Como atestei in loco a aberração, farei aqui um protesto direcionado aos responsáveis pelo estado lastimável da rodovia BR-116:

Não cabe a mim saber se vocês são da esfera federal, estadual, privada, ou qualquer outra coisa... Eu apenas quero lembrá-los de que o mal que vocês causaram e causam aos milhares de seres humanos, que passaram e que passam por ali, voltará todo para vocês!

E é claro que não estou falando apenas de prejuízos materiais como pneus, amortecedores e etc. Estou falando de mortos e feridos, vítimas desse verdadeiro show de horrores que poderia ser evitado se o dinheiro público não fosse administrado por canalhas como vocês.

Todas as atrocidades que acontecem diariamente na BR-116 são reflexos do "foda-se" que vocês ligaram para cada cidadão - o mesmo cidadão que paga uma verdadeira enxurrada de impostos em dia e todos os dias. E o que vocês fazem com esse dinheiro todo? Não nos interessa saber, não é? Ok, mas, as conseqüências baterão às suas portas, sem dúvida.

Não tenho a pretensão de prever nada, mas confio na Justiça Divina e ela não falha - a justiça do Homem anda muito sem crédito...

Pois bem, agora vamos tentar adivinhar qual será a solução adotada:

a) vocês vão tomar vergonha na cara e começar a reparar o mal cometido de forma honesta e digna;

b) vocês vão vender a rodovia para alguma corporação estrangeira e continuar rindo da cara dos contribuintes otários que vão pagar fortunas em pedágios.

Muito difícil adivinhar, não é?

Pobres ignorantes, a vida e a história é que vão ligar o "foda-se" para vocês...


Michel Leme