Nos dias 23 a 26 de janeiro, toquei em Curitiba. Foram três dias de som, novas amizades e climas maravilhosos.
Cheguei na quarta-feira (23/01) e fiz um workshop na loja Station Music. Fui maravilhosamente bem recebido por todos, toquei um show solo e respondi a perguntas muito boas - a moçada estava numa sintonia muito musical. A Station é uma loja grande e recém-inaugurada que tem um auditório muito bom pra workshops e shows, exemplo que deveria ser seguido pelas lojas de São Paulo e de todos os outros ditos "grandes centros" - mas que têm cada vez menos lugares pra se tocar música. Agradeço muitíssimo pelo carinho à Juliane, Rodolfo, Phil, Allan e a todos da Station: parabéns pela iniciativa!
Na noite do mesmo dia, toquei com Bolão (bateria), Gringo (baixo) e o Bebê (acordeon) no bar "Pare Olhe Escute", que fica do lado da linha do trem. Foi muito divertido. Logo depois, teve a canja do Arismar do Espírito Santo na bateria e do Guto (que toca com o Yamandú Costa) no contrabaixo. Tocamos em trio e foi muito, muito bom. Depois, o Alex Buck foi pra batera e o Bebê voltou ao palco. Uma bela noitada de som.
No dia seguinte, toquei com o guitarrista, tecladista e cantor Aurélio. O cara é muito gente boa, talentoso e tem um swing danado. Nos divertimos até a meia-noite no Bar Curitiba e, de lá, fui pro "Pare Olhe Escute" dar uma canja com o Endrigo Bettega (bateria), Arismar (guitarra), Mario Conde (guitarra) e o Guto (baixo). Quando subi ao palco pra tocar, tive a companhia do Thiago Espírito Santo na outra guitarra. Foi uma canja muito boa, uma energia maravilhosa!
Na (chuvosa) sexta-feira, toquei com Thiago Espírito Santo (baixo), Cuca Teixeira (bateria) e Jeff Sabbag (teclado). Foi um som muito legal também, os caras quebraram tudo! Ao final, o "golpe de misericórdia" foi a canja do Arismar do Espírito Santo no teclado. Tocamos "Vestido Longo" (do Arismar) e "Bom Dia" (de minha autoria), e foi uma energia que não dá pra tentar colocar em palavras...
Agradecimentos especiais ao Glauco Soüter, à Muga e ao Endrigo. Parabéns pela luta e pela realização maravilhosa. Que Deus os abençoe!
Beleza de temporada... Façamos mais!
Um abraço,
Michel
domingo, 28 de janeiro de 2007
domingo, 14 de janeiro de 2007
Michael Brecker

Algumas pessoas me perguntam sobre a experiência de ter tocado com o saxofonista americano Michael Brecker, em julho de 1997. Vou lembrar um pouco:
Bem, em 1997 eu estava tocando com o meu amigo saxofonista David Richards toda terça-feira no Sanja Jazz Bar. O grupo: David, Sandro Haick (baixo), Pepe Rodriguez, Cuca Teixeira e eu. (Até gravamos um CD, mas que acho que ficará na gaveta...)
Fiquei sabendo uns poucos dias antes que iria ter um workshop com o grande saxofonista Michael Brecker no Auditório do Souza Lima. Ele viria ao Brasil pra tocar num festival promovido pela Heinecken e foi acertado um workshop. Ele pediu uma cozinha e o David recomendou o Cuca na bateria e o Sandro no baixo. E ficou acertado assim.
Bem, eu era influenciado pelo Michael Brecker. Era uma época em que eu tirava solos (e trechos de solos) de outros instrumentistas, pra tentar não cair na mesmice do "guitarrista que quer tocar jazz que imita ou o Benson, ou o Scofield, ou o Pat Metheny, ou o Mike Stern". E o cara que eu mais sentia identificação era o Michael Brecker. Só vim a ouvir os mais velhos, mais seriamente (como Coltrane, Shorter, Rollins, etc.), um ano depois.
O primeiro solo dele que ouvi foi num VHS do Jonas Sant'Anna (guitarrista que me deu aulas em alguns meses entre 1989 e 1990), a música era o 'rhythm changes' chamado "Suspone", tema do Mike Stern. Eu ouvi aquilo e fiquei imaginando como seria tocar aquele tipo de fraseado na guitarra... Aí, pirei!
Isso me estimulou a tirar mais e mais coisas de saxofonistas e outros instrumentos que não fosem guitarra, pra sacar do que eram feitas aquelas melodias - então inimagináveis pra mim.
Eu simplesmente comprava tudo que tinha o Brecker tocando, ouvia e depois tirava o que achava mais louco.
Enfim, de 1992 a 1997 foi assim. Isso fez com que eu vislumbrasse coisas maravilhosas na guitarra, foi uma grande abertura mental e espiritual. Tempos depois, parei de tirar frases dos outros e passei a apenas ouvir atentamente, sem querer copiar.
Bem, voltando ao workshop...
A formação do grupo seria um trio: sax, baixo e bateria. O David me disse que o Brecker não queria nenhum instrumento harmônico, porque não queria correr o risco de ter alguém restringindo-o.
Era chegado o dia. Sorrateiramente, montei meu amplificador no palco e deixei minha strato encostada nele. O David combinou que, ao final, eu e ele (David) tocaríamos um blues ou algo do gênero.
Bem, só nessa, já gelei e quase tive um troço. Seria o primeiro gringo de renome internacional com o qual eu teria o prazer de tocar, uma nova experiência pra mim e uma bela 'responsa'! E, o que mais me enlouquecia, é que era justamente o cara que era "a referência" pra mim na época...
Além disso, esse seria um dos primeiros workshops internacionais realizados no Souza Lima, a excitação era geral; a sala estava lotada com mais de 200 pessoas amontoadas no chão.
Logo quando o Michael Brecker chegou, eu fui apresentado a ele e sabia que tocaria no final, vi o David conversando e ele dando o 'ok'.
Mas, para minha surpresa, o Brecker se virou pra mim instantes antes do som, fez uma pausa e disse "Let's play! But... Just a few chords!". Saquei prontamente que ele não queria "mais um guitarrista chato que não sabe ouvir e fica se mostrando no acompanhamento, estragando o som". Compreendo a atitude dele perfeitamente. E é muito importante que eu diga que ele disse isso com uma tremenda educação!
Então, eu disse 'ok' e começamos a tocar "Impressions" de John Coltrane.
Ele fez o primeiro solo e quebrou tudo, arriscando coisas malucas e gerando uma energia que está até agora naquela sala. E quando o solo dele acabou, claro, era a vez do meu!
Bem, tremendo, toquei o que eu podia. Ao final, parecia Gol do Brasil em Copa do Mundo: a sala veio abaixo! Coisa que aconteceu depois, nos solos do Sandro e do Cuca também. Rolou um patriotismo danado...
Como próxima música, nós sugerimos "African Skies" - de autoria do próprio Brecker, que ficou surpreso e feliz por sabermos o tema. Aí, relaxamos! Via-se o sorriso e a alegria do saxofonista.
Depois disso, ele respondeu perguntas e até tocou bateria - muito bem, por sinal. Tocou uns poucos chorus de um blues, mas muito swingado, ao estilo de Elvin Jones. E tudo com tranquilidade e humildade impressionantes - uma verdadeira lição. Ele respondia as perguntas com simplicidade e sinceridade, sem jamais deixar rolar o tom professoral do tipo "sou o dono da verdade" que acontece direto nesse tipo de evento.
Depois, fechamos a tarde com um blues, provavelmente "Tenor Madness", com a participação do David. Foi uma festa, uma festa da música!
Senti que foi um momento pra ficar na história de cada um de nós. Foi uma tarde milagrosa que muitas pessoas até hoje comentam comigo.
Que energia maravilhosa, uma verdadeira bênção!
Ao final, o Brecker veio falar comigo e disse palavras elogiosas, sempre demonstrando uma humildade à toda prova. Eu fui às nuvens! E todos foram às nuvens!
Um músico que influenciou milhares de saxofonistas a partir do final de década de 70, que gravou coisas maravilhosas com grandes lendas da música, ganhador de 11 Grammys, chegou e arregaçou as mangas pra tocar com a gente de igual pra igual, sem frescuras e com uma vontade fantástica! E, de quebra, ainda nos disse palavras de incentivo generosíssimas ao final! Isso é, definitivamente, uma lição de vida que devemos levar à frente.
Hoje, eu soube que, no sábado, dia 13 de janeiro de 2007, o Michael Brecker não resistiu à doença que lhe afligia há uns dois anos e partiu.
Esse homem foi uma das pessoas mais genuinamente humildes que já tive a honra e a felicidade de conhecer. Isso para mim já bastaria pra dedicar-lhe essa simplíssima homenagem.
A lembrança das poucas horas nas quais dividimos o palco faz com que minha alegria seja renovada, e faz com que o estímulo para lutar pela sintonia da Divina Música se multiplique.
Que Deus o abençoe em sua infinita Glória, Sr. Michael Brecker!
Muito obrigado,
Michel
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Um maravilhoso 2007 pra todos!
Começamos 2007 muito bem e tocando, Graças a Deus!
Nesse dia 02 de janeiro, eu, Alexandre Mihanovich e Alex Buck fizemos um som no Espaço Veja São Paulo, na Riviera de São Lourenço.
Tocamos composições nossas e 02 standarts num show de 01:20.
Ao final, o público caloroso pediu bis, o que nos deixou muito felizes. Mas como o lance acabava às 22 hrs. em ponto e a produção do evento disse que não dava pra estourar o horário, deixamos pra tocar mais numa próxima...
Foi muito bom!
Parabéns e obrigado a todos envolvidos no evento: pessoal da Textos & Idéias - Mafra, Janis e cia.- Tuca e Plínio do som; um abraço pra cada pessoa que esteve lá curtindo o som (inclusive meus amigos: Popó and Mrs. Popó, Mônica Agena, Nat, Aninha, Deise e Peloso, e até o Alexandre da Traditional Jazz Band - amigo de quatro carnavais com a Banda Santo Angellus e outros sons!); e que haja cada vez mais oportunidades como essa!
Abraço a todos!
Michel
Nesse dia 02 de janeiro, eu, Alexandre Mihanovich e Alex Buck fizemos um som no Espaço Veja São Paulo, na Riviera de São Lourenço.
Tocamos composições nossas e 02 standarts num show de 01:20.
Ao final, o público caloroso pediu bis, o que nos deixou muito felizes. Mas como o lance acabava às 22 hrs. em ponto e a produção do evento disse que não dava pra estourar o horário, deixamos pra tocar mais numa próxima...
Foi muito bom!
Parabéns e obrigado a todos envolvidos no evento: pessoal da Textos & Idéias - Mafra, Janis e cia.- Tuca e Plínio do som; um abraço pra cada pessoa que esteve lá curtindo o som (inclusive meus amigos: Popó and Mrs. Popó, Mônica Agena, Nat, Aninha, Deise e Peloso, e até o Alexandre da Traditional Jazz Band - amigo de quatro carnavais com a Banda Santo Angellus e outros sons!); e que haja cada vez mais oportunidades como essa!
Abraço a todos!
Michel
Assinar:
Postagens (Atom)