Na definição do dicionário Aurélio, a palavra fã significa "admirador exaltado de certo artista de rádio, cinema, televisão, etc.". O termo "exaltado", por sua vez, quer dizer exagerado, excessivo. E é esse exagero que me distancia do uso do termo 'fã' em meu dia-a-dia.
Acho que a idéia de "fã" e "ídolo" é uma distorção de comportamento, isto é, ser fã pressupõe sentir-se inferior ao ídolo, alguém "incapaz de chegar aos pés dele..."
Por outro lado, quem se sente ídolo, está vivendo a patológica ilusão de se achar superior a alguém.
A relação fã/ídolo é mais um equívoco ostensivamente incentivado pelas corporações através da mídia, considerando que este é mais um fator que leva ao consumo voraz, e ainda colocando como verdadeiro fã aquele que compra qualquer produto relacionado a determinado artista ou celebridade, sem questionamento.
Acredito que o termo 'apreciador' caiba melhor àqueles que gostam da arte de alguém, soa muito melhor chamar de 'apreciador de arte'. Esse termo deixa clara a oposição ao culto pela pessoa do artista - ou por seu modo de vida, suas mansões, seus carros, etc.
Me lembro que, quando garoto, eu queria completar a coleção de discos de algumas bandas. Aí eu ouvia alguns discos dos quais não gostava e me questionava:
-"Ué, será que eu sou chato a ponto de não ter gostado de algo desses caras?!"
Refletindo algum tempo depois, percebi claramente que não era isso, eu simplesmente não gostava! E isso foi muito melhor do que me tornar um zumbi, me obrigando a aceitar algo que não me agradava só para ser fiel à pessoa do artista.
No meio 'guitarrístico', com o qual tenho algum contato, vejo coisas esdrúxulas acontecendo. Como por exemplo, alguns garotos atribuírem importância demais a determinado artista só por terem visto o mesmo numa revista especializada, mesmo sem ter ouvido o seu som; e em contrapartida temos aquele que diz não gostar de determinado artista, só porque o seu “estilo” não foi definido pelo jornalista com o rótulo de sua preferência. ..
Essa superficialidade não é culpa apenas do "paga-pau" do exemplo acima, é fruto direto do massacre da mídia vendida, que bate dia e noite na tecla que perpetua a idolatria. Alguns minutos em frente à TV já bastam pra se enojar com o ‘imbecilizante’ culto às celebridades, por exemplo.
E os anunciantes mais pesados - leia-se corporações -, é quem ditam os padrões de comportamento, ou tendências de consumo. A mídia funciona como um alto-falante nocivo que repete as instruções abomináveis dos que a sustentam. E quem não tem meios pra questionar, compra e essa é a perversão! Se aproveitar da ignorância do povo, que tem sido economicamente proibido de buscar cultura.
Mas não devemos temer quem parece mais forte, porque a sua opinião com base, caro leitor, vale muito mais do que a opinião com interesses escusos da "emissora de TV descolada" que dita comportamentos e diz que "fulano é gênio" ou "essa banda é maravilhosa" - e quando você ouve, percebe que é mais uma mentira deslavada que objetiva o consumo puro e simples.
E isso perdura até aparecer o próximo "gênio", inventado pela mesma gravadora, que tem a grana pra comprar toda a "grande mídia" pra divulgar seu novo marionete, etc. É um verdadeiro ciclo vicioso.
Um amigo, sabiamente, me disse certa vez que se você tem a consciência de algo, é sua obrigação alertar àqueles que não a possuem. Por isso, faça valer sua opinião - seja numa conversa ou em espaços na net, como blogs e fóruns - e não tenha medo de se contrapor às unanimidades burras. Só não podemos nos calar!
E se você conseguir fazer alguém começar a questionar tudo isso, já valeu.
Michel Leme
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
domingo, 19 de agosto de 2007
São João da Boa Vista
Sábado, 18 de Agosto, fiz um workshop na cidade de São João da Boa Vista (SP).
Abri o evento com um pequeno show solo (o nono deste ano), tocando quatro músicas e, em seguida, rolou um grande bate-papo com as pessoas que lotaram a Sala de Múltiplo Uso do Teatro Municipal.
Gostaria de agradecer muitíssimo a todos que compareceram e participaram; além de dar meus parabéns para as organizadoras: Vania, Mônica e sócias.
Foi muito bom! Uma belíssima tarde numa cidade não menos bela, e que me transmitiu muita paz.
Façamos mais!
* Foto tirada com o carro em movimento de uma das vistas de São João.
Uma belíssima semana a todos,
Michel
domingo, 5 de agosto de 2007
Diário de Música (6)

Dia 31 de julho, toquei com a Zérró Santos Big Band Project, no Café Aurora - no Bixiga. Foi um som muito bom e divertido. Quem puder, deve conferir esse trabalho. O Zérró escreve muito e o som rola solto; é uma big band com bons espaços pra solos e muitas situações de improviso coletivo - no dia 29 de Agosto, nós vamos tocar no bar Mr. Blues, no Itaim Bibi, depois confira na agenda do meu site.
Nesse dia, eu comecei a usar o amplificador Rotstage (meu modelo/assinatura) chamado LIBRA! É um cabeçote de 100W RMS totalmente valvulado, ligado a uma caixa com 2x12", também da Rotstage. Estava um puta som de guitarra: alto, grave e limpo. Faltam poucos detalhes pra começar a comercializá-lo... Aguardem novidades!
No dia 02 de Agosto, toquei na Mostra Free Note de Música Instrumental, no Centro Cultural São Paulo - um projeto idealizado pelo guitarrista Duca Belintani e que teve a divulgação viabilizada pela Free Note. Abri o evento fazendo um show solo de 35 minutos. Em seguida, o violonista/compositor Conrado Paulino fez sua apresentação solo e, ao final, tocamos três músicas em duo: "Bem Simples" (um samba meu, gravado no CD Quarteto), uma do Conrado "A nova sem nome" e o standart "Tangerine" - que toquei pela primeira vez nesse dia, muito bonito e bom de tocar. Foi muito legal, divertido e o público deu um show à parte: fez silêncio absoluto nos momentos solo e foi muito caloroso nos momentos mais 'nerviosos' - ah, se toda platéia fosse assim...
Encontrei amigos queridos lá: o guitarrista Hard e sua esposa Andréa, Thiago mais o Bibizão e o Zé Renato da EM&T, Zé Carlos da Free Note, Lienio Medeiros (batera amigo meu que tirou a bela foto acima), Ana e amiga, vários alunos e ex-alunos, e amigos que fiz no dia, que foram com a gente tomar umas brejas no boteco em frente ao CCSP depois do som. Um abração a todos que foram prestigiar!
Insisto: nosso país precisa, em caráter cada vez mais urgente, de eventos assim.
Um grande abraço e um maravilhoso mês de Agosto a todos,
Michel
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